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Por que a inflação de alimentos não vai salvar o atacarejo? Veja o que diz o JPMorgan

Por que a inflação de alimentos não vai salvar o atacarejo? Veja o que diz o JPMorgan
O JPMorgan optou por manter uma recomendação mais cautelosa sobre o setor de atacarejo no Brasil. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (17), os analistas do banco de investimentos projetam que o segmento vai continuar com um desempenho abaixo da média nos próximos trimestres. De acordo com o documento, a aceleração esperada na inflação de alimentos não deve se traduzir em crescimento real de receita, devido ao forte endividamento das famílias e à migração para produtos mais baratos. Outro ponto de atenção dentro da análise diz respeito a uma nova dinâmica de consumo: as famílias estão desviando o orçamento para apostas online e medicamentos de perda de peso.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa vira para leve alta, acima dos 174 mil pontosBolsas dos EUA recuam com sell-off de ações de fabricantes de chips Mudanças no orçamento familiarOs hábitos de famílias de média e baixa renda estão mudando profundamente. O setor de atacarejo sente mais essas alterações, já que essas famílias são as que compõem o público-alvo tradicional do segmento. Dados compilados pela ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) indicam que o orçamento doméstico, já estressado, está sofrendo com os desvios em direção a plataformas de apostas digitais e medicamentos voltados à perda de peso da classe GLP-1.A extensão desse fenômeno foi mapeada por consultorias especializadas. O JPMorgan aponta que, segundo dados da NielsenIQ, aproximadamente 5% dos lares brasileiros já possuem algum integrante fazendo uso de medicamentos da classe GLP-1. Paralelamente, cerca de 26% do total de famílias registraram envolvimento regular com apostas ao longo de 2025, um avanço de quase duas vezes na comparação anual. O impacto financeiro direto desse ecossistema sobre o varejo de alimentos é expressivo.Leia tambémFim da música de uma nota só? Rotação de IA na bolsa recoloca ações de valor no radarInvestidores trocam as campeãs dos chips e da inteligência artificial por setores esquecidos no rali, e gestores voltam a defender dividendos e ações de valor nas carteiras“Em termos de magnitude, dados de março de 2026 apontam para entradas da ordem de cerca de R$ 30 bilhões por mês em plataformas de apostas, enquanto o GGR total (Receitas Brutas de Jogos, ou seja, o montante apostado menos o montante ganho / perda líquida das famílias) cruzou R$ 37 bilhões no ano fiscal de 2025, equivalente a cerca de 5% das vendas totais da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados)”, apontam os analistas do JPMorgan.Conforme dados da ABAD, os consumidores trocam partes do orçamento para alimentar as apostas, e essa substituição alcança números preocupantes: a categoria alimentícia sofre um corte de 47%, e a categoria de despesas residenciais se aproxima, com 45%.InflaçãoAlém do aspecto de apostas online e canetas emagrecedoras, a inflação prevista para os próximos meses não deve ajudar o setor, como antes esperado.O otimismo de que o avanço nos preços repassados ao consumidor poderia inflar o SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) esbarra em uma incapacidade histórica de execução operacional das companhias. Leia tambémAções da Netflix tombam após resultado com cenário de desaceleração do crescimentoEmpresa projetou uma receita de US$ 12,9 bilhões para o trimestre atual e um lucro de 82 centavos por ação, ambos valores um pouco abaixo das expectativas dos analistasO JPMorgan realizou um estudo com dados da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) cobrindo os anos de 2019 a 2025 — intervalo que inclui picos inflacionários mais fortes durante a pandemia da Covid-19. A conclusão foi que nenhum dos operadores avaliados conseguiu expandir a produtividade de sua área de vendas acima da inflação do período.Mesmo os grandes players, como a Sendas Distribuidora – que opera sob a marca Assaí (ASAI3) – e o Atacadão, controlado pelo Carrefour Brasil, mostraram dificuldades crônicas nessa frente. As companhias possuem um faturamento por metro quadrado superior à média do mercado, porém ambas ficaram abaixo da média nacional em termos de avanço na produtividade.A análise trimestral conduzida de 2017 ao primeiro trimestre de 2025 aponta que o Assaí e o Atacadão só superaram a inflação de alimentos na produtividade de suas lojas maduras em 30% dos trimestres avaliados.“Os varejistas normalmente não conseguem vencer a inflação de alimentos, particularmente quando ela oscila rapidamente (como fez este ano), ficando aquém em várias janelas e com as empresas listadas tendendo abaixo da média”, diz o documento do JPMorgan.Teses de investimentoA preferência setorial do JPMorgan recai sobre o Assaí em detrimento do Grupo Mateus (GMAT3), em função de tendências de operação consideradas ligeiramente superiores. No entanto, o banco optou por manter uma postura neutra para as ações da companhia, cortando o preço-alvo para R$ 9,50 ao fim de 2026.Leia tambémGalípolo vai analisar cenário de juros e inflação na Expert XP 2026A proposta é oferecer ao público da Expert XP uma análise direta sobre um dos temas centrais para o cenário econômico do paísOs analistas enxergam um ritmo de vendas vulnerável para o segundo trimestre de 2026, projetando um SSS negativo de 0,4%. Para o fechamento do ano, a expectativa é de uma expansão tímida de 3% no faturamento bruto, acompanhada de uma margem Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada estável em 5,8%. A grande barreira para a última linha do balanço é o cenário macroeconômico de juros mais altos.Os analistas esperam que a empresa negocie a 10 vezes o P/E (Preço sobre Lucro) ajustado para 2027. Além disso, eles apontam que o Assaí é visto com múltiplos esticados e um prêmio injustificado perante o setor, dados os riscos operacionais e o balanço alavancado.Ao mencionar a situação do Grupo Mateus, os analistas do JPMorgan enxergam o cenário com mais pessimismo, com a recomendação de venda para as ações da companhia. O banco projeta um trimestre difícil pela frente, estimando um SSS negativo na casa de um dígito médio para o segundo período do ano. No consolidado de 2026, a projeção é de um avanço de 8% no faturamento, mas com uma contração de 80 pontos-base na margem Ebitda ajustada, que deve recuar para 6,5%.The post Por que a inflação de alimentos não vai salvar o atacarejo? Veja o que diz o JPMorgan appeared first on InfoMoney.

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