Expresso das ilhas

16h

Cape Verde

Ministra da Justiça defende revisão do Código Civil para acompanhar as mudanças sociais

Ministra da Justiça defende revisão do Código Civil para acompanhar as mudanças sociais
A governante falava esta manhã, na Praia, durante a entrega pública do relatório dos trabalhos da Comissão para a Revisão do Código Civil, coordenada por Geraldo Almeida.“Hoje temos muita legislação dispersa e temos matérias que já vêm de séculos e que hoje já não reflectem aquilo que é a convivência social, aquilo que é a relação privada entre particulares, entre sociedades, sociedades de direito colectivo, e entre o próprio Estado quando despido do poder da autoridade. Portanto, impunha-se que o país necessitasse, e de que maneira, de ter um novo Código Civil”, realça.Joana Rosa destaca que o processo já está em curso do ponto de vista técnico, embora a sua continuidade dependa das opções políticas do próximo executivo.Ainda assim, manifesta confiança de que o trabalho terá seguimento.“Vamos deixar o que já está feito. Se o novo governo não retomar, decisões políticas poderão ser tomadas em sentido contrário àquilo que é a decisão de hoje, mas eu estou em crer que o próximo governo vai retomar este processo, porque não tem a ver com o governo, com um partido ou com uma pessoa individualmente, tem a ver com aquilo de que o país precisa. Portanto, eu estou em crer que qualquer governo que venha terá presente a necessidade de actualização do Código Civil, porque vamos sempre tendo relações privadas cada vez mais complexas e eu acho que qualquer governo deve ter em mente a necessidade de as leis acompanharem as mutações sociais e de estarmos sempre à frente, e não ficarmos atrás dos acontecimentos”, destaca.O coordenador da Comissão para a Revisão do Código Civil, Geraldo Almeida, explica que a comissão está a organizar documentação para compreender melhor o que é, de facto, o direito civil cabo-verdiano.O responsável sublinha que grande parte do direito actualmente ensinado no país tem origem portuguesa e precisa de ser adaptado às especificidades nacionais.“Nós, o trabalho que temos estado a fazer, é no sentido tanto de proceder à reconstituição dessa documentação como de saber o que é verdadeiramente o direito cabo-verdiano. Porque o que nós constatamos ao longo dessa investigação que temos vindo a fazer é que, efectivamente, o direito que temos vindo a ensinar não é direito cabo-verdiano, o direito civil que temos vindo a ensinar é direito português. Eu verifiquei, nomeadamente, que no domínio tanto do direito das coisas, ainda estamos a ensinar o direito colonial. E, portanto, é necessário concentrar o nosso direito naquilo que é a verdadeira cabo-verdianidade”, sublinha.A Comissão para a Revisão do Código Civil foi empossada a 30 de Março e tem um prazo de 18 meses para apresentar o resultado final, que poderá incluir um anteprojecto de um novo Código Civil.

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