Luanda - Um vídeo divulgado nas redes sociais, alegadamente gravado por camponesas ligadas à empresa Konda Marta, mostra o comandante municipal da Polícia Nacional no Camama, Alexandre Mingas, num terreno actualmente em litígio, onde, segundo as imagens, orienta a presença de uma equipa de segurança privada.
Fonte: Club-k.net
De acordo com informações recolhidas pelo Club-K, o espaço em causa é disputado entre camponeses associados à Konda Marta e alegados invasores, alguns dos quais identificados pelas fontes como oficiais superiores da corporação policial. As mesmas fontes afirmam que a actuação policial no local tem sido interpretada como favorável a uma das partes, situação que, segundo denunciam, contraria decisões judiciais anteriormente proferidas.
Fontes que acompanham o processo referem que a presença recorrente do superintendente-chefe Alfredo Mingas no local é vista pelas camponesas como indício de interesse directo no terreno. Estas fontes alegam que os ocupantes contestados não estariam a cumprir decisões do tribunal, órgão de soberania competente para dirimir o conflito.
Na manhã de terça-feira, 13 de Janeiro, o comandante municipal do Camama deslocou-se ao terreno onde, segundo a Konda Marta, deverão ser construídas residências destinadas a famílias vulneráveis, após a emissão de licença de construção pelo Governo Provincial de Luanda (GPL). A visita contou com o acompanhamento de duas patrulhas policiais e mais de 20 efectivos.
Durante o encontro com camponesas e trabalhadores da empresa, Alfredo Mingas explicou que a sua presença visava essencialmente apresentar o novo comandante da Esquadra da Polícia de Vila Kiaxi, em substituição de João Mufuma, recentemente condenado a oito meses de prisão, com pena suspensa, por factos relacionados com violência contra camponeses da Konda Marta.
No mesmo encontro, o comandante referiu existir confusão em torno de decisões judiciais sobre a posse do terreno, mencionando despachos emitidos em diferentes datas e secções do tribunal, o que, segundo disse, terá contribuído para a complexidade do caso.
Entretanto, a intenção anunciada de colocar segurança privada no local gerou contestação por parte das camponesas, que afirmam recear uma tentativa de retirada forçada da empresa do terreno. Estas sustentam que a posse provisória do espaço foi restituída à Sociedade Konda Marta, em Agosto de 2025, por decisão do Tribunal da Comarca de Luanda (TCL).
O presidente do Conselho de Administração da Konda Marta, Daniel Afonso Neto, acusa o comandante municipal do Camama de ter participado anteriormente em acções que resultaram na destruição de cabanas pertencentes a famílias vulneráveis e considera a actual presença policial uma forma de pressão. Segundo o responsável, as camponesas terão sido advertidas de que qualquer reacção poderia resultar em detenções por alegado vandalismo.
Ainda de acordo com Daniel Afonso Neto, na tarde de quarta-feira, 14 de Janeiro, foram colocados no terreno dez efectivos de uma empresa privada de segurança, cuja identidade não foi divulgada, junto ao Condomínio Planalto do Quino. A Konda Marta interpreta esta medida como parte de uma estratégia para afastar a empresa da área em disputa.