Barra do Dande – O Presidente da República, João Lourenço, afirmou esta quarta-feira, 15 de Janeiro, que Angola precisa acelerar a aposta no investimento privado e na transformação local de matérias-primas para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo bruto. As declarações foram feitas à margem da inauguração de uma fábrica de alumínio na Zona Franca da Barra do Dande, província do Bengo.
Fonte: Club-k.net
Falando aos órgãos de comunicação social, o Chefe de Estado considerou que a entrada em funcionamento da unidade industrial constitui um sinal positivo de que o país começa a concretizar o objectivo de atrair mais investimento privado, nacional e estrangeiro, em sectores estratégicos da economia.
João Lourenço sublinhou que Angola não pode continuar a crescer apenas com base no investimento público, grande parte do qual resultou de linhas de financiamento externas, defendendo que o investimento privado é essencial para a criação de emprego, o alargamento da base produtiva e o aumento das exportações.
“O nosso grande desafio é diversificar as exportações. Não estamos satisfeitos com o facto de Angola exportar quase exclusivamente petróleo bruto. Precisamos transformar matérias-primas no país, acrescentar valor, criar emprego e exportar produtos com maior valor agregado”, afirmou.
Nesse contexto, o Presidente reiterou que o quadro das exportações deverá conhecer mudanças nos próximos tempos, com a entrada em funcionamento da Refinaria do Lobito, o que permitirá reduzir a exportação de crude na sua forma bruta e aumentar a produção de derivados.
Questionado sobre o impacto da nova fábrica nos preços do alumínio no mercado interno, João Lourenço respondeu com cautela, observando que, de forma geral, o aumento da oferta tende a pressionar os preços em baixa, mas frisou que será necessário acompanhar a evolução concreta da produção e do mercado.
Sobre os incentivos ao investimento privado, o Presidente defendeu que a regra geral é o pagamento de impostos por parte dos investidores, admitindo benefícios fiscais apenas em situações excepcionais, quando o Executivo entenda que determinado investimento é estratégico, mas pouco atractivo do ponto de vista imediato.
Como factor adicional de competitividade, destacou o baixo custo da energia eléctrica em Angola, considerando-o um incentivo relevante para a instalação de indústrias, sobretudo as de elevado consumo energético, como é o caso da indústria do alumínio. Sublinhou, no entanto, a necessidade de garantir a continuidade do fornecimento de energia, alertando para os graves prejuízos causados pela vandalização das infra-estruturas eléctricas.
O Presidente fez um apelo à actuação concertada dos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, bem como à colaboração da sociedade em geral, no combate à vandalização de bens públicos, classificando esses actos como crimes com consequências económicas e sociais graves, incluindo riscos para a vida humana.
Durante a inauguração, João Lourenço enquadrou ainda a fábrica de alumínio no esforço mais amplo de industrialização do país, defendendo que sectores como o cimento, o alumínio e, futuramente, o aço são pilares essenciais para o desenvolvimento industrial de Angola.
Relativamente à Zona Franca da Barra do Dande, o Chefe de Estado esclareceu que o papel do Estado se limita à infra-estruturação básica, como energia e água, cabendo ao sector privado a implementação dos projectos industriais, em função do interesse e das propostas dos investidores.
Por fim, o Presidente confirmou que a electrificação do Triângulo dos Dembos continua entre as prioridades do Executivo, reconhecendo tratar-se de um projecto antigo e há muito reclamado pelas autoridades locais, que deverá avançar em momento oportuno.